terça-feira, 12 de maio de 2009

Por Teu Amor


Por Teu Amor foi uma boa novela, com uma história bastante diferente do convencional, e que agradou o público e fez bonito na audiência, ainda que tenha caído um pouco em relação às antecessoras, mas isso não impediu que a novela fosse boa. O problema foram alguns erros que certas vezes comprometeram o andamento da história.

Gabriela Spanic surgia estonteante e loira como Maria do Céu, a jovem rica e enganada às vésperas de seu casamento. Aceitava então casar-se com Marco Duran (Saul Lizaso), e passavam a viver uma relação de amor e ódio. Gabriela e Saul foram um dos casais que mais projetaram uma boa química nas telas nos últimos tempos, e foram o melhor atrativo da novela, com suas guerras. O único porém foi ter demorado demais para os dois se acertarem definitivamente. Ah, e convenhamos, Céu era grossa demais para uma moça aparentemente tão educada.

Katie Barberi começou como uma amante despeitada de Marco, e acabou chamando a atenção como a ensandecida Miranda. Foi uma ótima vilã, e um bom lançamento, já que Katie só vinha fazendo papéis bem pequenos.

Iran Eory e Roberto Vander foram a avó e o pai de Céu, também se saíram bem. Aliás, Iran Eory sempre se saía bem nas novelas. Em Por Teu Amor não foi diferente.

O núcleo familiar que se formou com Bruna (Margarita Magaña), Sérgio (Gerardo Murguía) e Adelaide (Norma Lazareno), mulher-marido-sogra foi outro ponto alto da novela e rendeu ótimos momentos. Margarita Magaña, apesar de Bruna ser um personagem insuportável, saiu-se muito bem. Mas Norma Lazareno, obstinada em separar o casal, foi a melhor atuação desse núcleo. Os momentos em que Adelaide começava a enlouquecer foram dignos de uma grande atriz.

Lourdes Munguía como Alma (e seu nome artístico Mayra Ribeiro) foi também outro destaque. Bastante abalada, a personagem sofria horrores nas mãos de Sandro (Roberto Ballesteros, em papel fraco), Luciano (Cláudio Baez), e de seu próprio filho que a desprezava: René (Mauricio Aspe), um malandro que se destacou bastante.

De forma tímida, tratou-se do incesto com Adriana Nieto, muito boa como sempre, vivendo Abigail, filha de Marco, e apaixonada por ele. A resolução da história é que deixou a desejar um pouco, não que fosse o correto ela continuar amando o pai, mas é que ela esqueceu rápido demais.

Haviam subtramas demais, e o problema é que diversas vezes elas tinham mais espaço que os conflitos entre Marco e Céu, além disso, essas subtramas eram muito arrastadas e não tinham uma ligação tão forte com os protagonistas. Como a da Maria Fernanda (Lourdes Reyes), que engravidava, quase abortava, mas acabava entregando seu filho à adoção. Não que a história fosse ruim, mas é que foi enjoada várias vezes, pois sempre quando tinha Maria Fernanda em cena, o assunto era o mesmo, ou sempre que aparecia Raquel (Yadira Santana), e outros também, levando a lentidão...

Joaquin Cordero esteve em um papel muito abaixo de sua capacidade, Lázaro, o grande amigo de Marco. Mais pra frente colocaram alguma história para o personagem, já era tarde demais, a história não rendeu o suficiente para um primeiro ator como ele.

O elenco da novela era bom, mas faltaram mais nomes significativos no elenco, aliás, isso é quase uma marca de Angelli Nesma, a produtora, não ter vários grandes nomes nos créditos. Apesar disso, o elenco foi melhor que o da sua novela anterior, Camila.

A novela começou um tanto morna, mas depois que Céu e Marco se casaram e começaram a ter mais cenas juntos, a história deslanchou, porém, sempre dividindo espaço demais com as subtramas. Porém, as últimas semanas e em especial o último capítulo, foram excelentes, repletos de acontecimentos e revelações. A praia de São Carlos, cidade em que se passava a novela quase até o final, foi muito bem explorada no início, mas com o tempo deixou de ser algo tão atrativo, pois já não aparecia tanto. Um dos destaques foi o figurino dos personagens. Maria Fernanda, por exemplo, só usava amarelo, e Bruna, cor-de-rosa.

Gabriela Spanic disse à imprensa mexicana que, ainda que tenha gostado de atuar nessa novela, só sentiu-se a protagonista da novela durante os primeiros capítulos, já que ela percebeu que a história de Céu ficou de segundo plano (como já foi comentado). Depois que a novela terminou, Gaby disse que houveram várias atitudes de Céu que ela não concordou, por não achar que tinham a ver com a psicologia da personagem que Céu era no início da história. Chegou inclusive a dizer que “muitas cenas foram tontas”. Esses comentários valem principalmente para a metade da história em diante. Entretanto, Gabriela disse que adorou trabalhar com Saul Lizaso, para apimentar disse que foi seu melhor colega em cena (obviamente ela estava se referindo a Fernando Colunga).

Engraçado que Por Teu Amor começou prometendo duas coisas muito diferentes que acabaram desaparecendo depois: o exótico cenário da praia (que era substituído pela tradicional capital mexicana) e o visual surpreendente que Maria do Céu exibiu no começo (ela logo cortou os longos cabelos e os tingiu, para a mesma cor que uma certa Paulina Martins usava).

Por Teu Amor foi uma boa novela, com uma história diferente e cheia de personagens interessantes, outros nem tanto, o problema foi o pouco aproveitamento da história principal e do casal central, o grande charme da novela.

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